quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Feriado!

Mais um feriado de sol. Mais uma noite mal dormida. Apesar de ter acordado as cinco da manhã e entrar no trabalho só as oito, chegarei atrasada. Mas esse é o habitual. Estou sempre a pensar demais e me sobra pouco tempo para fazer o que precisa ser feito. Mesmo que eu não saiba o que precisa ser feito, sei que devo fazer algo. Mas, há dias em que penso na vida mais, muito mais, que o comum. Como uma lagarta se fecha em seu casulo, me recolho do mundo e faço do meu corpo uma prisão. Não penso em liberdade nesses momentos, o mundo sim tenta me libertar, mesmo contra minha vontade, para conseguir me jogar nele me invade, invade de muitas maneiras, e todas elas vão ocupando o interior do meu corpo, até que não me caiba mais e só me reste sair. Sair de mim. É assim que me sinto nos dias "normais", não sou eu ali, estou fora, o corpo vai seguindo sozinho. Na verdade estamos os dois ali, eu e o corpo, mas há entre nós uma distancia consideravel, não caminhamos junto. Ou ele vai a frente e eu me irrito, ou eu vou a frente e nao caminhamos....

Canto de uma amada

Eu sei, amada: agora me caem os cabelos, nessa vida dissoluta, e eu tenho que deitar nas pedras. Vocês me vêem bebendo as cachaças mais baratas, e eu ando nu no vento.
Mas houve um tempo, amada, quem era puro.
Eu tinha uma mulher que era mais forte que eu, como o capim é mais forte que o touro: ele se levanta de novo.
Ele via que eu era mau, e me amou.
Ela não perguntava para onde ia o caminho que era sei, e talvez ele fosse para baixo. Ao me dar seu corpo, ela disse: Isso é tudo. E seu corpo se tornou meu corpo.
Agora ela não está mais em lugar nenhum, desapareceu como uma nuvem após a chuva, eu a deixei, ela caiu, pois este era seu caminho.
Mas à noite, às vezes, quando me vêem bebendo, vejo o rosto dela, pálido no vento, forte, voltando para mim, e me inclino no vento.

Bertolt Brecht

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Não pare

"talvez isso seja um sinal para parar"

nesse instante me fiz poeira.

no instante seguinte o vento soprou com força

e espalhou minha sujeira mundo afora.

Sentir

"se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir" (Trecho 12 - Livro do desassossego)

há tempos nao escrevo
sentir me era demais
banhei-me nas aguas descompassadas da boemia
andei mais, cantei mais, sorri mais...

em vão...

hoje volto a sentir...
deixo a fuga pra mais tarde
a vejo ao longe, a sorrir
sempre eu em desvantagem
vou então sentir
por hora não há coragem de fugir

sigo, a arder...