Corpo caveira
A sujeira esconde a palidez de sua pele
Veste apenas uma camisa cinza,
suja como a cidade.
Seus braços finos passam de poltrona em poltrona estendidos,
Esperando por alguma coisa.
Até mesmo um olhar.
Os pés descalços estão feridos.
Ganhou uma coca-cola.
Uma a uma as cabeças balançam de um lado para o outro.
Inclusive a minha.
O braço continua esticado.
Um pouco tremulo.
Às vezes baixa e descansa.
Seus olhos apontam cada um para uma direção,
O que aumenta o desconforto dos passageiros.
Sua presença deixa todos inquietos.
Uns olham, outros fingem dormir, outros balançam a cabeça...
Eu choro sem que percebam.
Há muito que meu coração deixou de derramar lágrimas,
Ele as bombeia gota a gota, na minha corrente sangüínea.
Continuamente os meninos entram no vagão, no ônibus, na rua, na praça...
Continuamente eu choro.
Por eles,
Por mim,
Por nós...
Continuamente...
domingo, 10 de maio de 2009
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