domingo, 10 de maio de 2009

O Menino

Corpo caveira
A sujeira esconde a palidez de sua pele
Veste apenas uma camisa cinza,
suja como a cidade.
Seus braços finos passam de poltrona em poltrona estendidos,
Esperando por alguma coisa.
Até mesmo um olhar.
Os pés descalços estão feridos.
Ganhou uma coca-cola.
Uma a uma as cabeças balançam de um lado para o outro.
Inclusive a minha.
O braço continua esticado.
Um pouco tremulo.
Às vezes baixa e descansa.
Seus olhos apontam cada um para uma direção,
O que aumenta o desconforto dos passageiros.
Sua presença deixa todos inquietos.
Uns olham, outros fingem dormir, outros balançam a cabeça...
Eu choro sem que percebam.
Há muito que meu coração deixou de derramar lágrimas,
Ele as bombeia gota a gota, na minha corrente sangüínea.
Continuamente os meninos entram no vagão, no ônibus, na rua, na praça...
Continuamente eu choro.
Por eles,
Por mim,
Por nós...
Continuamente...

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