Um dia desses, estava eu dentro de um ônibus voltando da faculdade cansada, olhando para fora da janela e imaginando como seria estar lá, quando um homem que acabara de passar por baixo da catraca pede nossa ajuda. Como qualquer outro.
Dizia ele ser do interior do estado de Minas Gerais, tentava a vida em São Paulo já há algum tempo. Como qualquer outro, não teve oportunidade de estudar onde nasceu ainda criança, foi trabalhar na lavoura... Em poucos segundos contou sua história de sofrimento. Como qualquer outro.
Pediu ajuda para comprar comida. Conseguiu algumas moedas. Como qualquer outro.
Agradeceu as moedas. Disse que já sabia ler um pouco. Aprendeu a tabuada também. Tudo isso vivendo nas ruas da “cidade dos sonhos”, a nossa rica São Paulo. Talvez ele não fosse assim como qualquer outro.
Permaneceu com a cabeça abaixada o tempo todo. Parecia envergonhado em estar ali, não pelo pedido de esmola, mas sim, por conta da conversa com os passageiros. Estava dividindo uma realização com pessoas que nem sequer o ouviam. Mais uma vez não pareceu como qualquer outro.
Comecei a observá-lo assim que ele se levantou do chão ao passar a catraca. Sou capaz de descrever ricamente cada detalhe seu ou o que levava consigo. Tive vontade de dar dinheiro a ele. Não consegui. Apenas olhei. Então quando todas as moedas haviam sido recolhidas ele se aproximou de mim e disse: quando as coisas estiverem difíceis não desista dos seus sonhos, Deus te dará força. Não, ele não era como qualquer outro, e o conselho que me dera também não: eu já não acreditava mais em Deus.
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