segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mais um

Aqui estou eu no ônibus. Voltando triste para casa. Tentando avistar vida pela janela. Perdida dentro do meu vazio. Procurava me encontrar lá fora, ou em algum olhar que cruzasse o meu. Mas, não encontrei nenhum dos dois. Faz muito tempo que não tenho nem a mim, nem a ninguém.
Lá fora não conseguia ver muito mais do que as luzes dos carros, indo e vindo pelas ruas. Brancas e vermelhas. Tantas luzes e meu caminho escuro, em trevas. Tentei escrever o que sentia meu coração. Faltaram-me palavras, ou talvez, tenha faltado coragem para dizê-las.
O mundo estava em silêncio. Pronto para ouvir meu pranto. Todo aquele caos do trânsito frenético da cidade estava mudo. Nada de buzinas, sirenes, apitos, gritos, batidas, conversas. Nada. Tudo estava calado. Eu então com medo de ouvir meu grito de socorro, calei-me, fechei-me. Continuei olhando pela janela, ouvindo apenas as batidas do meu coração.
Apenas segui viagem. Ainda no ônibus retirei a chave de casa da mochila. Penso sempre em evitar a demora em abrir o portão, talvez algum vizinho venha perguntar: Tudo bem? Como vai a vida? Bastaria que eu respondesse: Sim, tudo bem. Vai bem, graças a Deus. Mas, eu atrapalhar-me-ia para responder, indicando uma resposta negativa, deixando transparecer a verdade, a conversa poderia se estender. Prefiro não dar sorte ao azar. Seguro a chave na mão.
Abro o portão. Fecho o portão. Abro a porta. Fecho a porta. Vejo minha mãe, meu sobrinho, vez ou outra, um outro familiar ou vizinho. Sorrio. Não estou feliz, mas sorrio. Abro a porta do meu quarto. Entro. Fecho a porta. Mais um dia, fui e voltei. Mais um dia.

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